Denborough & Lovell, em 1960, foram os primeiros a descrever a HM como síndrome específica, de caráter hereditário e associada ao uso de anestésicos inalatórios halogenados.
No seu relato, Denborough & Lovell descrevem como um paciente masculino, de 21 anos, foi atendido no Royal Melbourne Hospital – Austrália, por fratura na perna (tíbia e fíbula).
O paciente concordou em receber anestesia geral, desde que não fosse usado éter, já que 10 parentes (primos e tios) haviam falecido durante ou logo após anestesia em que foi usada essa substância. Nos casos em que os registros estavam disponíveis, havia relato de hipertermia seguida por convulsões e morte.
O padrão de herança dessa característica era autossômico dominante; a família provinha de Wales. Devidamente prevenidos, os anestesiologistas usaram como pré-anestésicos a petidina e a atropina. A anestesia prosseguiu com o emprego de tiopental, óxido nitroso, oxigênio e halotano.
Surgiu hipotensão aos 10 minutos de anestesia, levando à redução do halotano. Apesar disso, o paciente começou a apresentar taquicardia, palidez, cianose e pele seca.
A anestesia foi interrompida e a cirurgia, concluída em 10 minutos. Nesse momento foram detectadas hipertermia e sudorese, sendo que o paciente permanecia inconsciente.
Foram instituídos o resfriamento com gelo e a transfusão. Em 30 minutos o paciente começou a acordar, e nas próximas 2 horas completou-se a recuperação, que foi marcada por intensa sudorese e queixa de calor intenso.
O paciente sobreviveu e não apresentou sequelas.